domingo, 26 de maio de 2013

Sobre Querer Acreditar

Precisar, almejar, esperar. Chegar em casa, imaginar possibilidades, planejar futuros.
Mas de repente se dar conta do tamanho do quarto vazio, do cansaço e de nenhum ouvido para ouvir como foi o seu dia, qual são as suas raivas ou satisfações. Nenhum cheiro além do seu para sentir. Nenhum lugar além do travesseiro onde sua cabeça possa encostar.
As raivas contidas sem vazão, as constatações solitas, sem compartilhamento. As preces que parecem não adiantar muito, que parecem não ascender a lugar nenhum. O contentamento insalubre de mais um término de semana esperando que me chegue a porta, que me peça para ir consigo, que lance fora o marasmo e a monocromia desses dias.
O afago que ainda não veio, o sorriso que ainda não foi dado, o olhar de entendimento que não foi direcionado, a extensão que parece não existir.

Às vezes tento imaginar uma pessoa fantástica, que não fizesse nenhum alarde a respeito de nada, que apenas consultasse a carta de vinhos e fizesse o pedido, sem pretensão, porém com autoridade. 
Mas em outros momentos me sinto bem e escrevo durante horas, feliz e sozinho em meu quarto, como se as palavras estivessem o tempo todo aqui. Não quer dizer que eu me sinta solitário, ao menos não com muita frequência. Eu ainda não tenho um relacionamento, mas costumo pensar pouco nessa peculiaridade, justamente para que ela não me roube as ideias, o brio e a inspiração. Algumas vezes, muito ocasionalmente, digamos as quatro horas da tarde de um domingo chuvoso, eu me sinto em pânico e quase não consigo respirar com a solidão. Uma ou duas vezes me surpreendo tirando o telefone do gancho para verificar se está funcionando. Às vezes penso como seria bom ser despertado por um telefonema no meio da noite: "Pegue um táxi agora mesmo", ou "preciso encontrar com você, quero carinho e boa conversa". Mas na maior parte do tempo me sinto como um personagem de um romance de Muriel Spark - independente, aficionado por livros, inteligente e secretamente romântico. Importante lembrar que o ostracismo aumenta em muito o ego da gente. É tática, sabe? É justamente se engrandecer para conseguir diminuir os complexos e as inseguranças. Defesa puramente psicológica.
Eu não estou afim de histórias engraçadas, quero uma mudança, uma ruptura, não anedotas. Minha vida tem sido repleta de anedotas, uma longa fila de equívocos, mas agora eu quero que alguma coisa dê certo, pelo menos uma vez.


A situação: estar emotivo com tudo, mas sem emoção para nada.
O diagnóstico: rupturas significativamente positivas.

Isso aqui não é para ser trágico, nem tragicômico, como quase sempre o faço para diminuir certos hematomas na alma.
É só para ressaltar as noites em que me lembro de que às vezes eu sinto que há um buraco dentro de mim, um vazio que de vez em quando parece queimar. Que se encostasse meu coração em seu ouvido provavelmente ouviria o oceano.
É sobre sonhar não estar só, não ir dormir a noite sozinho.
É sobre às vezes, quando a brisa é morna ou os grilos cantam, sonhar com um amor que faça até o tempo se curvar a ele.
É sobre querer alguém que me ame, sobre querer ser visto.

É sobre temer endurecer por dentro cedo demais. Sobre o fato de que força e dureza são coisas mui diversas.


Ao som de "Together", The XX.

2 pessoas se inspiraram:

Jéssica Sales disse...

Meu bem s2.

rebeca Holanda disse...

Não,não é pedir demais uma resposta de algo ou alguém.. Não é pedir demais para que alguém lhe ouça e compreenda. E da natureza humana... como disse Aristóteles: O Homem é um animal social; Não é de nossa natureza permanecermos sozinhos durante a vida. É puramente humana essa ânsia de sermos ouvidos, de algo cuidar de nós, de não estarmos sozinhos no universo, de sermos simplesmente AMADOS. Ouso dizer ainda que se você ainda não achou sua metade, não se preocupe, porque ela existe e também te procura. Boa sorte !:)